Amazônia em tempos de pandemia: isolada ou explorada?



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13 de maio de 2020 - 12:31


A realidade vivenciada pela maior floresta tropical do mundo em tempos de pandemia está se tornando uma problemática. A COVID-19 e o isolamento social estão sendo usados como cortina de fumaça dos madeireiros, para avançarem o desmatamento na Amazônia.

De acordo com o boletim do desmatamento da Amazônia Legal Brasileira publicado pelo IMAZON (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), durante o mês de Março, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), detectou 254 km² de desmatamento na Amazônia Legal, o que corresponde a um aumento de 279% em relação ao mesmo período do ano passado. A ALB, área que abrange os nove estados do Brasil pertencentes à bacia amazônica é a mais afetada no processo de degradação. Os picos de desmatamento  se encontram nos territórios de Roraima (56%), Pará (20%), Mato Grosso (8%), Rondônia (8%), Acre (4%) e Amazonas (4%).

Ainda segundo dados do IMAZON, no período de agosto de 2017 a julho de 2018, o relatório da exploração madeireira indicava aumento do desmatamento, somando 38.573 hectares de florestas. As áreas privadas exploradas sem autorização totalizavam 76% de desmatamento; outros 17% ocorreram em Áreas protegidas (terras indígenas e Unidades de Conservação); e 8% em assentamentos de Reforma Agrária. 

Com o avanço da pandemia e o isolamento social, os índices apontam que a exploração madeireira aumentou em 2020. Isso acontece porque há falta de fiscalização dos órgãos públicos competentes a essas atividades. Nos últimos meses, vivemos tempos de omissão governamental em relação à exploração da Amazônia. Além disso, vale ressaltar o pouco uso do exercício de poder feito pelo Ministério do Meio Ambiente, no qual se encontra em constante desacordo com políticas públicas que protegem o patrimônio natural.

Sabemos que a temática Amazônia e desmatamento não é atual,  marcada com décadas de uma luta histórica pela preservação da floresta. Sendo assim, é importante ressaltar o papel das instituições que lutam pela causa, como universidades, ONG’s e projetos de cunho ambiental – como o próprio Destino Sustentável. Portanto, em tempos de pandemia e isolamento social, precisamos ressignificar o sentido da valorização amazônica. Cabe à sociedade reconhecer que a luta pela preservação sempre será atual, assim como o governo deve promover investimentos em tecnologias de monitoramento ambiental e o uso de políticas públicas, permanentes e eficazes, em favor das fiscalizações e o aperfeiçoamento dos processos de monitoramento da floresta.