Os verdadeiros poluentes somos nós



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18 de agosto de 2020 - 19:00


Você sabia que  no dia 14 de agosto foi comemorado o Dia Nacional de Combate à Poluição Industrial? Sabe qual a importância desta data? Esse dia tem como objetivo enfatizar a importância de refletir sobre o acúmulo de rejeitos eliminados no meio ambiente pelas fábricas e seus prejuízos para a biosfera. 

Os resíduos industriais podem transformar-se em poluentes, de curto a longo prazo, dependendo do tipo de resíduo. Isto é,  de acordo com uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), poluente é toda substância que se encontra em excesso na atmosfera, proporcionando a transformação do ar e deixando-o nocivo à saúde humana, à segurança da vida, provocando desequilíbrio na fauna e na flora. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição atmosférica é a causa da morte de 1,7 milhão de crianças menores que cinco anos todos os anos. Isso acontece porque o ar poluído penetra nos pulmões e infecciona as células de forma mais rápida do que nos adultos, devido à imunidade ainda em formação das crianças, podendo causar pneumonias e asma. Infelizmente, muitas vezes esta poluição não é vista no dia-a-dia.

 Quando a ciência avança e há interesse dos empresários em utilizar tecnologias para ceifar ou diminuir a eliminação de poluentes, as indústrias deixam de ser uma fonte inesgotável de poluição. A indústria petroleira é a maior contribuinte para esse problema, pois ao extrair o petróleo da área de pré-sal, devido uma liberação enorme de gás carbônico que, muitas vezes, não é devolvido a essa área em consequência da grande demanda energética. O gás carbônico é uma substância química composta responsável pelo aquecimento global. A liberação exagerada deste gás provoca desequilíbrio térmico e químico nos oceanos e na água da chuva, além de causar diversas outras consequências sociais, ambientais e econômicas à humanidade quando afeta a produção de alimentos indiretamente.

Além dos poluentes atmosféricos, há os resíduos químicos despejados em lagos, mares e rios durante o ciclo produtivo de uma indústria, como os derramamentos de petróleo das grandes plataformas de extração. Esse derramamento compromete o ciclo biológico à medida que interrompe a fotossíntese de algas e fitoplânctons. Além disso, há a eliminação de mercúrio, chumbo e cádmio por indústrias metalúrgicas, o que provoca a magnificação trófica e acúmulo de metais pesados no organismo do ser humano, aumentando as chances de manifestação de um tipo de câncer no fígado ou problemas neurológicos. Em virtude de tanta eliminação descontrolada de poluentes, no Brasil, foi criado o Decreto-Lei nº 1.413 de 14 de Agosto de 1975 que visa controlar essa eliminação pela intervenção estatal. No entanto, até que ponto ele tem sido cumprido?

Durante a pandemia do COVID-19, o fluxo de pessoas foi reduzido e um dos setores mais afetados foi o de voos domésticos que, em alguns países, teve redução de 60-70% da disponibilidade dos voos e isso refletiu na atmosfera de uma forma muito positiva. De acordo com a Agência Europeia de Meio Ambiente,cada aeronave emite 258 gramas de CO2 por passageiro, com a queima do querosene, além de outros poluentes como o dióxido de nitrogênio. Porém, durante a pandemia, esse cenário foi reduzido e apesar de o afrouxamento das medidas restritivas em algumas cidades como em Wuhan, o epicentro da pandemia, não foi perceptível o retorno da poluição de antes. Então fica o questionamento: até que momento do período pós-pandemia nosso sistema produtivo possibilitará a constância dessa atmosfera renovada?

Parte de toda essa responsabilidade é do consumidor, porque sem o nosso poder de compra, não há produção e a economia não gira. Somos nós, cidadãos comuns, que executamos os pedidos e os feedbacks para que uma empresa continue produzindo determinado produto da forma que produz. A reflexão de um dia como o dia 14 de agosto é: Você tem feito o quê para contribuir com a diminuição da poluição industrial indiretamente? Já deixou de comprar algum produto quando descobriu as suas condições de produção? Já reclamou para a empresa ou em público a respeito de suas medidas sustentáveis inexistentes ao longo da cadeia produtiva que afeta os ecossistemas terrestres? É preciso repensar, reduzir, recusar, reciclar e reutilizar. Lembrem-se sempre, tanto as posturas, quanto as mercadorias.