Pantanal em chamas e a destruição da biodiversidade



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28 de setembro de 2020 - 19:00

Considerado um bioma rico em fauna e flora, o Pantanal é o menor em extensão territorial do Brasil e a maior área úmida contínua do planeta. Em seu espaço, o bioma, é influenciado por rios que drenam a bacia do alto paraguai, sofrendo influência direta de outros biomas (Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica). Além disso, é  considerado Patrimônio Nacional pela Constituição de 1988 e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera pelas Organização das Nações Unidas (ONU), desde 2000. 

Apesar da sua importância, o Pantanal se destacou nos últimos meses por causa das queimadas intensas que estão ocorrendo, principalmente nas áreas que abrangem os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Desde os primeiros setes meses do ano de 2020, o bioma tem mantido o recorde de queimadas em toda sua extensão, registrando 5.935 focos de incêndio somente em Agosto. O ano com maior número registrado foi em 2005, com 5.993 registros, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora as queimadas desde 1998.

Dados do Instituto Centro de Vida (ICV), mostram que os incêndios no bioma são os piores desde 1998. “O que a gente está vendo agora é algo histórico em termos de impactos no bioma”, afirma Vinícius Freitas Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do ICV. As principais causas dessas queimadas no Pantanal são ligadas a fatores como: o período de seca, que abrange principalmente os meses de agosto e setembro; ao desmatamento ilegal em áreas do bioma e ao agronegócio, principal causa da expansão não só do desmatamento, mas também das plantações de pastagens exóticas e grãos. 

Não só a flora vem sendo atingida pelo aumento das queimadas, mas também ocorre uma grande perda na fauna do bioma. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Pantanal possui representantes de quase toda a fauna brasileira, mantendo uma das maiores concentrações de espécies do país. Sendo assim, a dinâmica ecológica do bioma sofre perdas no ecossistema local, ocasionado pelas queimadas que agravam o índice de morte dessas espécies. O projeto SOS Pantanal, que atua na defesa do bioma, destaca os efeitos do contato direto ao fogo, que ocasionam queimaduras, intoxicações e mortes, considerando o histórico de vida animal e a morfologia e comportamento, permitindo que alguns grupos sejam mais ou menos suscetíveis às consequências das queimadas. Em uma matéria publicada pelo projeto, Felipe Dias, diretor executivo, ainda destaca o risco ao projeto Arara Azul encontrado no Pantanal, realizado há mais de 20 anos no qual luta para a preservação das araras-azuis, espécie que esteve ameaçada de extinção.

A luta pela preservação do Pantanal se encontra na força diária dos diversos cientistas e pesquisadores que resistem ao avanço da desvalorização e degradação do meio ambiente, estampadas não apenas na omissão individual, mas também nas flexibilizações das leis ambientais que ocorreram no decorrer do tempo. Assim como a Amazônia – bioma que também sofre com o avanço das queimadas -, o Pantanal pede socorro. Preservar e educar é extremamente importante, não apenas na educação escolar, mas também na educação popular, que deve levar conhecimento sobre o bioma às famílias que vivem do sustento desse espaço. Existem possibilidades de uma integração e valorização sustentável entre a biodiversidade e os indivíduos que fazem o uso da terra, e tais possíveis medidas são de urgência para a sobrevivência do Pantanal. 

Faça sua parte, contribua com uma das ONG’s que atuam na defesa da preservação do Pantanal:

SOS Pantanal (https://www.sospantanal.org.br/doacoes)

Instituto Homem Pantaneiro (https://www.institutohomempantaneiro.org.br/participe)

Grupo de Resgate de Animais em Desastres (https://www.instagram.com/grad_brasil/)

WWF-Brasil (https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/pantanal/faca_a_sua_parte/)