Reduzir para sobreviver



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15 de fevereiro de 2021 - 20:00


A lei 8902/19 entrou em vigor em todo o estado do Pará a partir do dia 14/02/21. Essa lei consiste na proibição da comercialização de sacolas plásticas pelos estabelecimentos comerciais. O prazo de adaptação para que os comerciantes paraenses se adequassem à lei, segundo a Assembleia Legislativa do Estado do Pará, foi de 18 meses para pequenos comércios e 12 meses para grandes empresas. Sendo a lei de outubro de 2019, o cumprimento desse prazo já está atrasado em pelo menos 4 meses para as grandes empresas. Espera-se que ao menos o atraso na conscientização, a partir do momento que as fiscalizações começarem, seja menos perceptível do que tem sido até aqui..

Esse tipo de lei já existe em diversos estados do Brasil, não é cumprida em todos os estabelecimentos por inviabilidade, mesmo, do alcance de uma fiscalização e as regras geralmente só são cumpridas com eficácia, quando há uma observação maior das instâncias com poder de sanção ao usuário ou ao comerciante. No entanto, é perceptível, nesses estados onde  a lei já existe há mais tempo, uma outra postura do consumidor diante da preocupação com o meio ambiente durante a compra, porque há medidas motivadoras empregadas pelo proprietário para o cumprimento da lei. 

Como forma de incentivar o cliente, além do estímulo à obtenção de sacolas retornáveis, ainda durante a fase de adaptação para a lei, sugere-se aos estabelecimentos que as pessoas as quais não desejarem usar sacolas plásticas, tenham um desconto mínimo de R$ 0,03 centavos em suas compras, a cada 5 itens adquiridos. Parece pouco, mas se você vai ao supermercado uma vez por semana, você economiza ao mês 12 centavos e ao ano, 1 real e 44 centavos, quase o valor de uma meia passagem que lhe possibilita girar a cidade de ônibus. Além disso, outro incentivo possível é que a cada 50 sacolas entregues por qualquer pessoa, o estabelecimento troque por um quilo de um item da cesta básica (esse último parece difícil para a nossa realidade, mas é possível, dependendo do engajamento ambiental da empresa).

Muito além de qualquer economia no bolso dos envolvidos, há uma louvável ajuda a quem nos permite comer, respirar e sentir: o meio ambiente. A Organização das Nações Unidas já declarou que um dos maiores problemas da atualidade é o descarte inadequado de plásticos, pois esses, quando descartados de maneira inadequada, sabe-se que essa é uma realidade do estado,  possuem íntima relação com problemas ambientais urbanos (como o entupimento de bueiros e, consequentemente, inundações), poluição de rios e à medida que são degradados em micropartículas, estando presente em rios e mares, são alimento de peixes e outros animais aquáticos. 

Nesse contexto, pesquisadores da Universidade Federal do Pará detectaram a presença de microplástico em 77% dos pacus estudados na região sudoeste do Pará. Esses peixes são parte das espécies que servem de alimento para o ser humano e ao estarem contaminados, contaminam o seu predador. Sem saber, porque os microplásticos, dependendo do nível de desintegração, não são visíveis, o seu organismo pode estar funcionando como estoque de microplásticos que a longo prazo poderão trazer consequências à saúde. Desse modo, tendo em vista o volume alto de sacolas plásticas descartadas e em circulação no estado, a partir de domingo, 14, começou a valer a lei 8902/19. O objetivo maior é frear os impactos do plástico na sociedade, hoje pouco perceptíveis no âmbito individual, mas as futuras gerações irão colher o que a atual geração tem plantado. 

O estudo, liderado pelo médico Philipp Schwabl, pesquisador da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia da Universidade de Medicina de Viena, aponta para a redução da resposta imunológica do organismo acumulador de microplástico e, vivendo uma pandemia de COVID-19, a população adquiriu uma noção da importância de manter-se com uma boa resposta imunológica. 

Na saúde, uma coisa leva à outra, é nesse raciocínio que se inclui a necessidade de reduzir a circulação de sacolas plásticas no estado do Pará, seguir a lei vigente, garantir o bem-estar social e a sustentabilidade como fatores determinantes da qualidade de vida da população. Faça a sua parte, adote as sacolas retornáveis, reduza a quantidade de sacolas plásticas levadas para casa, recuse aquelas sacolas que costumamos colocar vegetais e frutas no mercado e fique atento para os outros tipos de plástico utilizados no seu lar. Seja consciente, o  meio ambiente agradece e, com ele, a vida é exaltada!