Cidadãos do mundo em aquecimento



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7 de July de 2021 - 18:11


O advento da Revolução Industrial, a queima de carvão para gerar eletricidade, o crescimento das indústrias e a contínua emissão de carbono pelo desmatamento e queimadas, além de veículos antigos, são alguns dos potencializadores do fenômeno do aquecimento global. Este que tem preocupado estudiosos do clima em virtude do aumento da temperatura global. Há estudos com afirmativas de que o aquecimento global alcançou um ponto de não retorno, isto é, a temperatura anual, em graus Celsius, que o planeta terra aumenta alcançou uma marca irredutível. Por isso, o receio da comunidade científica sobre o destino do planeta é verdadeiramente cabível .  

Diversas conferências climáticas foram realizadas desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, que abordou as mudanças climáticas de modo geral e suas interferências na vida humana, procurando formas de prosseguir no desenvolvimento dos países industriais, sem aumentar tão drasticamente os problemas ambientais. No entanto, percebe-se o descumprimento de regras pré-estabelecidas entre as lideranças mundiais. 

Em 2015, no Acordo de Paris, foi decidido, entre os países signatários, a limitação do aumento anual da temperatura terrestre a 2ºC, em relação à temperatura padrão antes da Revolução Industrial, até 2100. Tudo indica que essa meta está cada vez mais difícil de ser alcançada, uma vez que, em 2020, segundo Markus Rex,  cientista líder da maior expedição da história ao Polo Norte, a camada de gelo formada no Ártico, tanto em extensão, quanto em espessura, está menor do que há décadas passadas; ele alertou, ainda, pós-expedição, que em poucos anos o verão no Ártico não manifestará mais gelo marinho. 

O Aquecimento Global, por ser altamente influenciado pela quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, coexiste com outros problemas ambientais, visto que esse aumento na temperatura global possibilita a intensificação do fenômeno do El Niño e, consequentemente, das secas no Nordeste e Norte do Brasil; aumento o número de ondas de calor anuais; possibilita uma acidificação dos oceanos na costa brasileira e redução do recifes de corais em virtude das altas taxas de absorção de dióxido de carbono; além de aumentar o número de queimadas no Cerrado, bioma que manifesta queimadas naturais em virtude do clima seco e mais quente no fim do inverno. 

Simultaneamente, as medidas de controle governamentais são insuficientes para manter uma temperatura média anual aumentada em 1,5ºC e esse descompromisso ambiental com a nação desperta uma preocupação ainda maior na comunidade consciente a respeito da importância do meio ambiente. Um forte exemplo de riscos a longo ou médio prazo, a depender das condutas futuras, é a possibilidade da Floresta Amazônica se transformar em Savana, ou seja, um bioma mais seco e sem mata densa, com arbustos espaçados, caso alcance o ponto de não retorno na temperatura anual. 

O alcance do ponto de não retorno ainda não parece fazer parte do cotidiano brasileiro, todavia torna-se perceptível no Polo Norte e Sul, com o derretimento das calotas polares e a redução do gelo marinho, além da temperatura dessas camadas de gelo. É necessário ler sobre essas temáticas para encontrar a preocupação com o futuro logo no primeiro período do texto lido, na maioria das vezes, embora o reflexo aconteça em todas as regiões do planeta. 

Esse reflexo faz parte do cotidiano brasileiro, desde que a sensibilidade para essas problemáticas esteja aguçada, porque como mencionado acima, quem ainda não precisou lidar com tardes e noites mais quentes? E rios com volume reduzido, aumentando a taxa de energia elétrica em determinados momentos do ano, algo que não era comum há algumas décadas? E jornais lotados de manchetes sobre o sertão nordestino em tempos de estiagem? O Aquecimento Global é um fenômeno antigo, mas o alcance do ponto de não retorno é novidade. Para alguns estudiosos, ainda é algo de um futuro bem próximo, para outros, realidade. 

O que cabe a todo cidadão deste planeta é fazer a sua parte e reduzir a poluição ambiental, a emissão de dióxido de carbono nos usos de recursos diários como modos de produção, de locomoção e consumo, combater o desmatamento e as queimadas, ainda que seja naquela queima de lixo no quintal da casa do vizinho. 

Como legítimos cidadãos do Planeta Terra, temos direitos e deveres intrínsecos à existência. Portanto, lembre-se que para usufruir do direito à vida, é preciso ter onde viver. O planeta pede ajuda para continuar sendo a morada dos quase 8 bilhões de moradores, conscientes ou não, são agentes de transformação e responsáveis pela estabilização, pelo menos, das variações de temperatura anuais.